terça-feira, 13 de setembro de 2016

MILAGRE DE PEDROUÇOS

CAPELA DO SENHOR DOS AFLITOS DE PEDROUÇOS

O prometido é devido, e tal como ontem (06/09/2016), aqui prometi divulgar o milagre ou lenda, da Capelinha do Senhor dos Aflitos, que muitos fiéis da Natividade ignoram.

Esta história, muito pouco divulgada e que deveria constar e ser registada como património histórico, teve inicio por volta do ano de 1440, no lugar conhecido por Petrauzos, ou Pedrouzos, lugar importante das terras de Águas Santas no concelho da Maia.
Consta-se mesmo que, devido à sua importância agrícola, era chamada de “cidade” de Petrauzos; por comportar elevado número de Casais, 19, pois em toda a Maia, só o lugar de Ardegães possuía o maior número, 21).
Foi por essa altura que a capelinha foi construída, por promessa em louvor ao Senhor dos Aflitos.
Aquando redactor do extinto Jornal da Maia, fui recolhendo aqui e ali, contos e dicas sobre a história, as mais relevantes, numa entrevista com o pedroucense, Avelino Moura Lopes.
A partir de toda essa recolha, elaborei a história que de novo divulgo, e para uma mais agradável leitura, procedi ao conto versado. – LENDA OU MILAGRE
- Andava uma mulher do povo atarefada a estender roupa sobre penedos, giestas e mato, no pedregoso monte, onde se situa hoje a igreja paroquial, construída em 1871 e ampliada, entre 1926 e 1928, altura em que passou esta terra a freguesia eclesiástica a 8 de Setembro, para paróquia de Nossa Senhora da Natividade.
Nesse monte de penedia e bouça, a mulher deitou a filhita de tenra idade à sombra das giestas, sobre o avental e fetos, enquanto punha a roupa a secar ao sol.
A fome despertou a criança que desatou a chorar continuamente. 
Apressada e cuidadosa, a roupeira ergueu o cachopo nos braços e aconchegou-o ao peito, sentada numa rocha. 
Deitada sobre o colo da mãe, de boquita aberta e sôfrega, o cachopo procurava desesperado o mamilo da progenitora, que prontamente lhe solta a mama a descoberto sobre o franzino e tenro rosto.
Entretanto, o cheiro do leite atraíra uma cobra que deslizou silenciosamente na sua direção, e lhe saltara para o regaço. Aflita e assustadíssima... a mulher mais não fez do que rezar com toda a sua fé ao Senhor dos Aflitos, pedindo-lhe que a livrasse do réptil. E, parecendo obedecer a ordem divina, a cobra sem lhe provar o leite nem os morder,  deixou-se deslizar pelo regaço até ao chão e foi de novo recolher-se no interior de uma brecha entre dois penedos a seus pés.
Acreditando tratar-se de milagre, a roupeira ajoelhou-se rezando e agradecendo ao Senhor por a escutar, prometendo mandar construir uma capela junto ao caminho na encosta do monte.

E é esta a Capela, quase passa despercebida, porque foi "entalada" entre habitações que foram sendo construídas por total desrespeito pelo património histórico de Pedrouços.
O MILAGRE
(Lenda de Pedrouços – Maia)

Andava a mulher na lida,
Sobre as pedras a estender;
Roupa lavada, espremida,
Para secar e aquecer.
Mulher do povo e de vida,
No cimo do monte a corar,
Rouparia sacudida,
E o cachopo a chorar.
Deitado em fetos e rama,
De fome chorava a criança
Ansiando o leite, a mama,
Amor de mãe logo a alcança.
Pega o cachopo no colo,

- Teve a lida que esperar;
Deu a mama, deu consolo
À criança a amamentar.
Pela brecha de um penedo,
Uma cobra ou serpente;
Tolheu a mulher de medo,
Ao surgir tão de repente,
Assustada a roupeira,
Pôs-se aflita a rezar.
Mas a serpente matreira,
Foi o seu leite cheirar.
Com a cobra sobre o peito
A orar naquela hora
Que milagre fosse feito,
Que o bicho fosse embora.
Pela graça concedida,
Uma capela ali nasceu;
Naquele local erguida,
Como ao senhor prometeu.
O milagre está presente
Na cruz no seu interior
Mais o Senhor e serpente
Por devoção e louvor.
          José Faria

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