terça-feira, 15 de agosto de 2017

O ZÉ AINDA DORME


O José anda intrigado,
Por vezes preocupado,
Falta-lhe esclarecimento;

Queria ser informado,
Como tudo é governado,
E do que está no esquecimento.

E um dia já saturado,
De esperar ser informado,
Sobre desenvolvimento;

Foi questionar apressado,
Um pedroucense honrado,
Sobre a terra e crescimento;

Este disse-lhe com cuidado,
Que o tempo é complicado,
Onde foi seu nascimento;

Anda o poder pendurado,
Num povo desinteressado,
Entregue a entretimento;

Que o melhor é estar calado,
Pedalar por todo o lado,
Dar-se à paz, contentamento.

Mas o Zé quis ser ousado,
Quis mais conselho e recado,
Para seu conhecimento.

E onde está instalado,
O que a qualquer terra é dado
Ao povo, equipamento?

O Centro Cívico não falado,
Não existe em nenhum lado
Por má-fé e esquecimento.

Um projeto aguado,
Piscinas para este lado,
Foi desejo fraudulento,

E o Centro mais alargado,
Cultural, bem pensado,
Não passou do pensamento.

O fim da vida ignorado,
Terceira idade é do privado,
A que os eleitos dão aumento.

Um serviço mais cuidado,
Público, bem instalado,
É só sonho e pensamento,

E vai de novo ser dado
O poder, para estar parado,
Progresso, desenvolvimento;

Pois quem a votos se é dado,
Pelo menos neste lado,
Só semeia entretimento.

José Faria


FOTOS VERSADAS




terça-feira, 18 de julho de 2017

UM OLHAR MAIS ALTO


OPINIÃO DE FREGUÊS PEDROUSENCE











A freguesia mais nova das 17 que compõem o concelho da Maia, continua muito carente de uma gestão autárquica que responda às necessidades fundamentais da comunidade.
Continua-se a verificar que os pedroucenses, naturais ou residentes com mais conhecimentos, formação e capacidade para essas funções, prefere ficar de fora e não se envolver em lutas partidárias e pessoais por cá tão mesquinhas e medíocres.
São, por isso, este (medíocres) muito “terra a terra”, que ao se candidatarem ou se recandidatarem e se envolverem, que continuadamente perdem tempo e juízo com pequeninas coisas, por falta de visão, formação cívica e cultural; que “enxotam” os melhores fregueses para liderarem um caminho de progresso para esta freguesia maiata às portas da cidade do Porto.
Para os incautos, mal informados ou mal formados, de parcos conhecimentos para quem tudo está festivamente bem, bastaria tão-somente perguntar-lhes se sabem onde ficam as infraestruturas da freguesia que complementam (deveriam complementar) a vivência social desta comunidade.
Por exemplo:
O Centro Cultural da Freguesia, A Universidade Sénior da Freguesia, A esquadra da Polícia de Segurança Pública da Freguesia, O Centro da Terceira Idade da Freguesia, O Centro de Informática da Freguesia, A Sede dos Escuteiros de Pedrouços, As Pincianas da Freguesia – (de natação e de hidroginástica), O Pavilhão Gimnodesportivo da Freguesia... ...
Sempre, sempre desde há muitos anos, há mais de vinte ou vinte cinco anos que estas necessidades se colocam.
Vamos continuar a deixar que aqueles que impedem os mais capazes de se aproximarem, se mantenham religiosamente em peditórios e sempre ocupados com "miudezas".


É que assim sendo e assim continuando, nem sequer vale a pena abordar a importância fundamental e há muitos anos urgente para Pedrouços, de um plano Diretor. Pois a maioria dos eleitos ultimamente, não entendem nada disso nem estão para aí virados, tal é também a sua subserviência ao poder mais acima.

Pois só um compromisso alargado e bem esclarecido à comunidade, na criação de um Plano Diretor a curto, médio e longo prazo, de intervenção autárquica, que responda eficazmente a um ordenamento desta região administrativa, começando por eliminar todo o amontoado de ilhas e casas abarracadas abandonadas há muito.

 Pois só um compromisso alargado e bem esclarecido à comunidade sobre projectos para avançar e concretizar de criação de infraestruturas inexistentes, pode tirar Pedrouços do impasse a que tem estado festivamente sujeito.


José Faria


quinta-feira, 13 de julho de 2017

CIDADANIA DESPERTATIVA 6

CIDADANIA
DESPERTATIVA – 6
13/07/2017

A festa de comemoração da criação da nova Freguesia realizou-se no dia 20 de Julho de 1985, no espaço do Mercado. 
A abrilhantar, a presença e a voz de Carlos do Carmo 
animou todos os pedroucenses presentes.

Mas, tal como prometi no Cidadania Despertativa 5, cá está: O cemitério foi na verdade a obra mais necessária e mais importante e urgente a ter que se concretizar, após a criação da nova freguesia de Pedrouços do concelho da Maia em 1985.


E o primeiro presidente eleito para a nova autarquia sabia disso, e por isso, deitou maus à obra.
Mas não lhe foi fácil. Francisco Dantas vinha da ala comunista e era a única Junta de Freguesia com essa orientação politica, num universo concelhio de mais 16 freguesia na sua maioria de orientação social-democrata, tal como o executivo camarário na sua maioria.
Perante tantas dificuldades naturais ou que lhe foram criadas, francisco Dantas viu-se obrigado a recorrer à engenharia militar para o tratamento, mistura e caldeamento de terras de preparação do terreno do novo e urgente cemitério. O de Águas Santas ficava a uma distância de cerca de 6 km, mas era da freguesia de Águas Santas.



Graças à coadjuvante intervenção das forças armadas, através da engenharia militar, concretizou-se o essencial, e daí a vedar e organizar todo o espaço, depressa se concluiu o novo cemitério da nova freguesia.
Outros registos dignos de referência e de recordação desses primeiros passos da freguesia, que divulgamos no Caderno Especial do Jornal da Maia, consta também o facto do edifício que foi escola das raparigas e depois Comissão de Moradores, que por abandono dos seus directores, Francisco Dantas criou nesse edifício um Centro de Convívio da Terceira Idade. Ainda lá está o Reclame, mas há muitos anos que isso não funciona.

E era aí que as pessoas de idade mais avançadas conviviam, liam, conversavam, faziam uns joguitos e tinham diariamente o pequeno-almoço oferecido pela Junta.

O Dumper, era o único meio de transporte e de trabalho para “atacar” em todas as direções, os muitos serviços de rua.
Tempos difíceis que posteriormente, com a partida (por doença) do primeiro presidente, veio a mudança de política que ficou em consonância com a maioria do executivo camarário e com a maioria das freguesias do concelho da Maia.
E o apoio, a proximidade, o investimento foi-se manifestando mais significativamente e realizando obras públicas de arruamentos, habitação social, educação, lazer, associativismo.
Para trás ficou um marco histórico de que todos os pedroucenses se devem orgulhar, liderado por bom homem, amigo do povo e de Pedrouços, um profissional de farmácia humanista.

Dez anos após a sua partida, a Câmara Municipal e o povo de Pedrouços prestou-lhe a 03/10/2003, a tão merecida e esperada homenagem, numa lápide no centro de uma pequena praça, mesmo em frente à rua também com o seu nome.
O melhor e mais frequentado local onde se encontra o registo da data e referência ao nascimento de Pedrouços como Freguesia, continua bem evidente no centro do Mercado do Povo da freguesia de Pedrouços.
Por todas essas razões a minha homenagem poética ficou registada no meu primeiro livro de Contos e Versos do Meu Caminho, e, mais uma vez utilizando as letras de FRANCISCO ARAÚJO DANTAS, para dar início a cada verso.
 















O PRIMEIRO PRESIDENTE

Foi em Pedrouços primeiro presidente,
Renovador da nova freguesia,
Amigo e dedicado à minha gente,
Nobres gestos semeou com alegria,
Cuidando o progresso, exigente.
Integro: teimava e conseguia!
Solícito: foi sempre presente!
Com a força social que oferecia,
Obra criou com a sua teimosia.

Até o cemitério que não havia,
Resistiu e contornou qualquer boicote;
A obra que Pedrouços merecia,
Usufruto depressa conseguia,
Já que a ajuda militar serviu de mote
Oferecendo tropas e mais-valia.

Doada por trabalho militar,
A entrega da sua engenharia,
No terreno todo a preparar,
Trouxe o campo santo à freguesia.
Atento o presidente a acompanhar
Soube dar essa obra à freguesia

José Faria



terça-feira, 11 de julho de 2017

CIDADANIA DESPERTATIVA 5


CIDADANIA
DESPERTATIVA – 5
11/07/2017


Parece-me terem sido os anos 80/90 os melhores do Pedrouços Atlético Club, e da freguesia em constante transformação, mas baseando-me na entrevista de Novembro de 1986 que efetuamos à direção do Clube mais representativo da Maia da freguesia recém criada, ouvimos do presidente Eduardo Monteiro, Pereira Pinto, Joaquim do Vale e restantes elementos do elenco directivo, que a colectividade contava mais de 1300 sócios e que por mérito próprio levaram o Pedrouços à 3ª Divisão Nacional. – “ Subiu ao 1º lugar logo na 2ª jornada e conseguiu um autêntico recorde de pontos (57/60).”
Ainda a nova freguesia dava os primeiros passos, tendo como sede uma casa de habitação da rua de Sacadura Cabral, e já Eduardo Monteiro acrescentava: - “Só precisamos de mais estruturas para podermos dar mais apoio às camadas mais jovens”.
Era o momento em que a população e as colectividades entusiasmadas reviam tantas necessidades que foram ficando esquecidas e ignoradas durante tantos e tantos anos, quer pela Câmara, quer por falta de apoio e intervenção da própria Junta de Águas Santas a que pertencia o então lugar de Pedrouços..
Nessa altura, o campo de jogos ainda era de terra batida, saibro marcado a cal.
As estruturas nos anos seguintes foram surgindo. A pouco, e pouco, veio o campo relvado, vieram as bancadas,… mas consequentemente, a sociedade foi oferecendo cada vez mais e de forma continuada, imparável, muitas e diversas actividades de lazer, cultura, música e diversão, e muita tecnologia informática para comunicação e entretenimento.
Logicamente, melhores e mais atrativos para a juventude e população em geral, do que as actividades dos clubes populares cá da terrinha maiata de olhos postos na cidade do Porto do outro lada da Circunvalação, fronteira da Maia.
E isso reflete-se na falta de procura e de interesse que cada vez mais se sente na procura do associativismo popular.

Por isso o Pedrouços Atlético Clube e todas as colectividades sofrem com isso.
Nessa altura era diferente, e apesar do aparecimento gradual de mais e melhores estruturas, serão sempre insuficientes para reporem toda a dinâmica do associativismo e desportivismo bairrista de então.
A concluir, e referindo-se a uma dessas estruturas, disse Eduardo Monteiro: -“ Sentimo-nos orgulhosos por a Maia ter um Estádio Municipal”.
Mas isso era dantes, porque até por aí a procura já não é o que era.
Dentro do mesmo espírito e entusiasmo, falamos com a Associação Lusitana de Pedrouços fundada em 1955, inicialmente como Sport Lusitano de Pedrouços.
E foi aqui no Lusitano que uma referência de importante abrangência concelhia nos foi transmitida. Primeiro lembrando-nos sobre a necessidade de realização de um Congresso anual das Coletividades da Maia. Outra não menos importante colocada pela Direção do Lusitano presidida por Fernando Venâncio Pinto Pinheiro, foi a de que a Câmara Municipal, ao contrário de conceder subsídios às colectividades, deveria criar um organismo de ligação ao movimento associativo maiato, para lhe prestar apoio técnico, médico e logístico.


Ora, se essa necessidade já se colocava em 1986, com o associativismo a “borbulhar” de dinamismo, agora meio adormecido e só nos BARs acordado, era altura de abordar de novo essa questão.
A terminar esta recolha de informação de entrevista para o Caderno Especial, questionamos sobre o que esperam com a criação da nova freguesia: - “Estamos numa zona populosa que bem justifica infraestruturas desportivas. Por exemplo, um pavilhão polivalente e uma pista de manutenção. – E adiantando, acrescentou o presidente: - É nossa obrigação pressionarmos os futuros eleitos para que criem estas e outras condições de que sempre estivemos carenciados.”.
Já lá vão 31 anos.

Muito foi feito e há sempre necessidades sociais e as mais importantes são sempre as mais esquecidas e ignoradas. Atá pelo associativismo (Colectividades) que deveriam acompanhar também a evolução da ocupação e lazer cultural (informática) da juventude e (cultural) da população onde cada colectividade se insere.
O ténis nunca foi despertado conveniente na freguesia, apesar da Câmara lhe colocar um Campo de Ténis ao dispor, actualmente a sofrer obras e alterações depois de tantos anos sem utilização.
Também o campo de jogos do Municipal do Cutamas, onde se integra o de ténis também está a sofrer remodelação.
A questão cultural vai continuar ausente do associativismo, e até dá jeito porque o poder não gosta muito de evolução cultural popular, para quem fado e futebol… e missa, chegam muito bem.

Com a colaboração da Engenharia Militar, francisco Dantas deu início aos trabalhos de criação do cemitério da nova freguesia, assunto para o “Cidadania Despertativa – 6.
Até.
José Faria





domingo, 9 de julho de 2017

CIDADANIA DESPERTATIVA 4

CIDADANIA
DESPERTATIVA – 4
09/07/2017
Ontem terminei “Cidadania Despertativa 3, a fazer referência ao “Tropical Futebol Clube”
Um clube do Café Tropical, da rua Nova de Teibas, e não aquele que nasceu dos jovens de uma Residencial chamada de Jardim Tropical do outro lado do Atlântico. Esse joga na 3ª Divisão Paulista de Society, que também usa como lema: “Educai as crianças e não será preciso punir os homens”.
Mas voltando ao Lugar de Teibas, este clube de café, por altura da nossa entrevista em 1986, para o “Caderno Especial” dedicado à criação da freguesia de Pedrouços, com a Direção presidida por Adelino Costa Fernandes, já ocupava de forma social, cultural e desportiva, muitos jovens e adultos moradores desse lugar, que, como referi, lugar de muitas carências socioculturais, e algumas muito importantes, ainda não foram colmatadas. E uma delas e que mais se faz sentir, é a dificuldade de mobilização da população, sobretudo por falta de um novo arruamento que ligue o lugar à rua das Cavadas, atravessando o ribeiro que passa junto ao Parque dos Amores, onde se situa o supermercado Mini Preço, a farmácia Vales e o acesso mais rápido ao Hospital de São João pela rua da Arroteia.








Este Clube da terra nascido em tempos difíceis, foi posteriormente esmorecendo com o aparecimento de um outro, a Associação Desportiva e Cultural de Teibas, cuja Direção chefiada por Paulo Silva, foi crescendo e ganhando maior abrangência, dinamismo e atraindo a si as camadas jovens para a prática do Futsal. Mas também os adultos, no futebol amador, na pesca desportiva e no cicloturismo.

Estas atividades desportivas muito ativas, eram sistematicamente abrilhantadas com eventos de convívios festivos e bailes populares que animavam sócios, amigos e população residente, atingindo o seu auge com a Semana Cultural do Teibas nos jardins da Casa do Alto.


Por lá passei e dentro do possível foi contribuindo na literacia e na arte, nomeadamente na exposição das minhas esculturas em madeira de quando tinha oficina na “casinha” (quase abandonada) da Casa do Alto, por altura dos Fins-de-semana Culturais que aí se realizavam.
Na literacia, era a divulgação das suas atividades na imprensa local, tendo mesmo contemplado o “Teibas” com uma poesia apelativa à prática socialmente salutar do associativismo, servindo-me de cada uma das letras do nome do Clube, para dar início a cada verso:

ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA E CULTURAL DE TEIBAS

Amigo e sócio clubista,
Se seu empenho é colaborar;
Saiba ser no clube desportista,
Ouça a voz do seu espírito em se dar,
Colabore com o Teibas, não desista,
Invista nesta força de educar.
Amizade e convívio tão bairrista,
Com desporto e cultura salutar.
A grandeza desta casa progressista,
Ontem e hoje continua a se afirmar.

Dedicada ao desporto juvenil,
E ao convívio de amizade promover;
Se empenha no sucesso, no porvir,
Pois assim vive o Teibas a crescer.
Ocupe aqui também o seu lazer,
Renove a força de associar,
Terá no Teibas alegria e mais prazer,
Ideal p’rá saúde e bem-estar.
Venha daí como sócio se inscrever,
Aqui há amigos que o estão a esperar.

E Cultural de Teibas se formou!

Continua a ser esta Associação,
Única mais jovem da freguesia,
Liderada com carinho e devoção.
Trabalho infantil e juvenil de alegria,
Unta a sua forma de crescer,
Reforça a sua força de viver,
Almejando ter ainda mais para dar:
Laboriosa Associação a prosperar.

De Teibas irá falar a história,
Enquanto o Clube não perder memória.

Trepou à força do pulso popular,
Emprestando aos jovens mais valor,
Investiu nas crianças mais labor,
Baseado no desporto a praticar:
Ainda hoje às crianças dedicado,
Só o Teibas é Clube mais honrado.
José Faria

Claro que a divulgação local e publicação desta mensagem poética no meu primeiro livro de Contos e Versos do Meu Caminho, não mereceu aquele reconhecimento de aplausos como merecem os golos, as fintas do futebol. E isso justifica-se num meio culturalmente carente onde a literacia e a poesia, pouco diz.
Mas essa é também a indiferença de grandes defensores, e teoricamente apoiantes da literacia, que se dizem promotores da cultura e que até incluem essa vertente nos seus programas de campanha para as autárquicas. Pois os detentores do poder, subestimam sistematicamente o poder do saber, da escrita, da poesia, da cultura, para não se enfraquecer e o seu poder prevalecer.
- Foi apenas um aparte interessante e complementar desta Cidadania Despertativa, mais debruçada no ano de 1986, tendo por mote o Caderno Especial sobre o nascimento de Pedrouços.
Por isso voltarei lá já na próxima mensagem (5), com pormenores da entrevista ao Pedrouços Atlético Clube, de quando era o Clube de Futebol amador mais representativo de toda a Maia.
Deixo-vos uma foto só para aguçar a curiosidade.
Até.

José Faria

sábado, 8 de julho de 2017

CIDADANIA DESPERTATIVA 3

CIDADANIA
DESPERTATIVA – 3
08/07/2017

Praça de Touros de Pedrouços
Ardeu em 6 de Setembro de 1926


Porque hoje é sábado, dia de descanso, e porque foi também num dia de descanso, mas num domingo, que escrevo e divulgo mais esta “Cidadania Despertativa”, com esta notícia que saiu num artigo de opinião de Ercílio de Azevedo no Jornal “O Comércio do Porto, de 7 de Agosto de 1926.
E foi graças ao pedroucense e meu amigo Daniel Santos, que tive conhecimento dela e a divulguei. Estava em 1986, precisamente às voltas com a realização do Caderno Especial do Jornal da Maia, dedicado à nova freguesia de Pedrouços.
Presentemente há um novo despertar cultural do pensamento coletivo e, por conseguinte, uma melhoria da cidadania despertativa dos cidadãos para com esta barbárie de diversão, à custa do sofrimento, tortura e morte dos animais.
Mas nesse tempo a estupidez era mais relevante e abrangente, pelo que até esta localidade pobre, muito pobre em 1926, tinha um campo de tourada. A população vivia fundamentalmente da agricultura e de alguma indústria de transformação, mas tinha um campo de tourada para se divertir, todo em madeira, nos terrenos frente ao mercado e feira do gado de Pedrouços. (Feira do gado muito importante que existia nessa altura, onde hoje são os depósitos da água)
Situa-se esse terreno nas traseiras do Supermercado Continente, no início da rua António Feliciano de Castilho, outrora ladeada de campos de cultivo e, por essa razão, a entrada para o campo da tourada, era feita pela rua Dão Afonso Henriques, precisamente frente à farmácia da Oliveiras, cuja passagem era conhecida como Ilha da Tourada.


Ora, mal o Daniel Santos me informou desse artigo, desloquei-me à Redação do Comércio do Porto e solicitei para consultar no arquivo, o jornal de Agosto de 1926.  
Recebido com simpatia coadjuvante, aí constatei e copiei o artigo da notícia do incêndio.
Por curiosidade e esperando encontrar notícias de tourada antes do incêndio, recuei vários dias de notícias e lá encontrei a “Grande Corrida de João Branco Núncio”.
Tudo isto “descarreguei” no Caderno Especial do Jornal da Maia dedicado à nova Freguesia de Pedrouços, por achar interessante e motivo de curiosidade.
Mais tarde, ao publicar o meu primeiro livro “Contos e Versos do Meu Caminho” em Junho de 2006, acrescento-lhe nas págs. 117 e 118, esta notícia acompanhada por um soneto sobre a questão:










FIM DA TOURADA
Já não há tauromaquia,
Nem corridas a valer;
Nem diversão, valentia,
Nem os touros a sofrer.

Mais que a chama da bravura,
Da arte de tourear;
O incêndio, a desventura,
Fez-se ao campo p'ra abrasar


O fogo tudo arrasou,
Fim do campo da Areosa,
De Pedrouços e Gondomar.

A tourada aqui findou,
E a arte gloriosa,
Aqui perdeu o lugar.

Das coletividades contactadas e entrevistadas para o “jornaleco” comemorativo do nascimento da 17ª freguesia da Maia, a página seguinte foi dada ao “Tropical Futebol Clube”, que funcionava no café com o mesmo nome no lugar de Teibas, localidade na altura muito carente de infraestruturas sociais, onde, tal como em muitos sítios da freguesia, as ilhas “ apodrecem e morrem de pé”.
Assuntos a tratar no CIDADANIA DESPERTATIVA – 4.

José Faria